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A Recusa Alimentar

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A Recusa Alimentar

Claudia Mascarenhas, Psicóloga,Psicanalista
A alimentação de um bebê ou de uma criança pequena se constrói num ritmo de revezamento entre fome e saciedade. Esse “par” fome-saciedade não se resume nas satisfações do organismo do bebê, ou melhor, para que o circuito fome – saciedade se complete, outros aspectos mais subjetivos e afetivos também entram em jogo. Por exemplo, dada a dependência inicial de um bebê para com a sua sobrevivência, esse par fome -saciedade passa necessariamente pelo alimento oferecido por algum cuidador atento. Logo, já podemos concluir que esse circuito da alimentação não se dá numa relação entre o bebê e seu organismo, mas entre o bebê, seu corpo e seu cuidador. O cuidador passa a fazer parte do circuito fome -saciedade, implicando que o ritmo deste vai influenciar o ritmo do organismo do bebê. Mas um cuidador atento e prestativo tem também suas demandas, sua forma de ser e suas preocupações. Para além do ritmo, o cuidador vai precisar usar de seu repertório para interpretar quais manifestações do bebê podem indicar realmente fome, e quais precisam dar limite indicando saciedade. Portanto, quando um bebê tem fome, seu corpo precisa dar sinais que vão ser interpretados pelo cuidador. Por exemplo, o bebê chora ou grita. O grito do bebê e a leitura que o cuidador faz disso já tem ,de modo muito prematuro, uma “função secundária de comunicação”: diz alguma coisa que precisa ter uma resposta. Compõe um diálogo entre um pedido e uma resposta. Então já temos ligados à fome e a saciedade duas condições importantes: o ritmo ( instaurando a sensação presença /ausência) e a comunicação ( pedido /resposta). Falta uma terceira condição que organizará a subjetividade e a afetividade no processo da alimentação: a interpretação da criança pequena de que esse cuidador consegue satisfazer sua fome e seu pedido, porque o ama. Do mesmo modo, o cuidador entende que a criança, ao aceitar ser por ele alimentada é por ele amado.Deste modo temos: ritmo, comunicação e afeto de amor.
Durante os primeiros 24 meses da criança, esse ritmo, essa comunicação e a interpretação possível desse afeto de amor oscilam a partir das experimentações do dia a dia

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