O Bebê de três meses – A preparação para a licença maternidade

 

Final da licença maternidade. E agora?
No final do terceiro mês do bebê as mães estão bastante ansiosas com as questões do cuidado substitutivo. Algumas já se programaram colocando uma babá e outras preferiram optar por deixar o bebê com familiares.
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Mas uma grande parte das mulheres tem muito receio de deixar seu filho com babás, visitaram creches mas as dúvidas ainda persistem e uma decisão ainda não foi tomada. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
Alguns pontos são importantes de serem ressaltados neste momento de indecisão: -Buscar ajuda do pediatra para a introdução dos novos alimentos e fazer estas tentativas ainda no período em que a mãe está com o bebê em tempo integral.⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
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– A mãe pode fazer algumas saídas breves e deixar o bebê ao cuidado do familiar ou babá para que tanto o adulto quanto o bebê possam ir se adaptando progressivamente a esta ausência.⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
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– Manter a rotina e os hábitos do bebê com o cuidador substituto.⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
– Se a mãe puder ter o horário de almoço em casa para que o bebê não fique tanto tempo sem a presença materna, é preferível ; se não for possível , fazer o turno mais longo e antecipar a chegada em casa.
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As babás podem ser uma boa opção para quem não pode contar com a família desde que tenha boas referências, experiência com este trabalho e disponibilidade de se adaptar aos horários dos pais mas principalmente se for alguém com capacidade de se “sintonizar” ao bebê, ou seja, que tenha uma atenção sensorial a ele, emprestando significados as suas vivências e adaptando suas ações em função destas interpretações. Em geral um adulto que apresenta uma vitalidade afetiva, flexibilidade nas condutas avaliando o que pode ser melhor para o bebê em cada contexto e se mantém uma presença atenta e estável permitirá que o bebê se acalme, organize melhor sua percepção e promove um maior desenvolvimento. Entretanto quando não se encontra um adulto capacitado a creche aparece como uma boa opção desde que seja organizada com alguns critérios que iremos postar na próxima semana.

O Bebê de três meses – Desenvolvimento

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Aos três meses o bebê começa a antecipar os eventos, permitindo sua maior previsibilidade. Segundo Daniel Stern, nesta idade o bebê que é deixado por poucos minutos só em seu berço ou tapete já consegue dispor de uma representação mental que o permite “evocar o companheiro “ da interação . Esta precoce capacidade de simbolização aliada a sua maior organização psicomotora permitirá que o bebê consiga ficar alguns minutos sem a atenção dos pais, se divertindo com alguns objetos colocados ao seu alcance no carrinho ou tapete de atividades olhando para eles e tentando alcançá-los.
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Nesta idade o bebê vai organizar melhor sua sucção, sugando seus dedinhos ( a chamada Reação Circular Primária de Jean Piaget ) ou objetos que estejam próximos a sua boca. Esta atividade servirá de auto calmante.
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Estas importantes aquisições psicomotoras e cognitivas ajudarão a uma maior elaboração das suas vivências e descarga das excitações, o que contribuirá para uma melhor organização psicossomática. Leon Kreisler, que contribuiu muito para a compreensão da psicossomática da criança considera que o fim das cólicas aos três meses é um indício desta maior capacidade simbólica.
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Nesta idade é importante que o bebê tenha meios de organizar sua oralidade tanto pela sucção dos dedinhos como chupeta. Também é importante deixar o bebê nos tapetes de atividade ou colchão variando assim suas posições, os brinquedos e atividades uma vez que o bebê se cansa facilmente, se habitua com os estímulos e tende a não mais se sentir atraído pela repetição incessante dos mesmos objetos ou atividades. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
A presença da voz materna, a atenção ao seu incômodo físico permitindo a troca de posições e a oferta de diferentes objetos ajuda no seu desenvolvimento global.

O bebê de três meses – O sorriso social


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O bebê de três meses alcança uma maior maturidade que se revela em vários aspectos: comunicativo, psicomotor, psicossomático e cognitivo. Este mês a cada semana abordaremos um destes aspectos. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
O que vamos abordar hoje é um indicador que foi ressaltado por René Spitz e que se inicia mesmo antes dos três meses que é o Sorriso Social . ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
O sorriso, aquele que aparece no recém-nascido, muitas vezes dormindo, conhecido popularmente como “o sorrir aos anjos” vai começar a aparecer, quando o bebê está acordado, diante de qualquer rosto humano. É um sorriso que Spitz destacou como sendo reação a uma gestalt-sinal, ou seja, diante de qualquer formato de rosto o bebê poderá sorrir independente de quem seja a pessoa. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
A partir de determinado momento esta reação mais reflexa passa a ser comunicativa porque o bebê percebe que quando sorri o outro sorri também, anima sua voz, transmite mais afeto e emoção. Então o bebê passa a sorrir mais e mais para ter esta interação mais rica e prazerosa. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
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Vale salientar que o bebê é dotado desde o nascimento de uma capacidade de buscar o outro, de comunicar e até mesmo de provocar, de buscar de forma ativa a atenção dos adultos. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
Esta capacidade inata foi chamada de Intersubjetividade Primária por Collin Trevarthen. Entretanto alguns bebês podem apresentar esta apetência para a comunicação mais reduzida e um dos fatores que pode revelar esta dificuldade no estabelecimento da comunicação e da interação é o não aparecimento do sorriso social entre 2 e 3 meses ou sua pouca frequência/ duração acompanhado de uma pobreza de fixação do olhar. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
Então se você acha seu bebê sério ou “ enfezado” ou tem dificuldade para captar ou manter sua atenção converse com seu pediatra ou busque uma avaliação de um especialista em desenvolvimento do bebê.